Olá, eu sou um viciado em jogos eletrônicos. Vou me
identificar como X, metade por vergonha de assumir publicamente o meu vício,
outra metade para resguardar a minha família.
Sou jovem, tenho 22 anos, um filho pequeno e namoro a mulher
mais bela que eu já vi – sou um cara de sorte. Atualmente, estou começando a
minha segunda graduação, estudo para concursos públicos, moro com os meus pais
e não possuo independência financeira.
Sou um sujeito extremamente caseiro, quase nunca saio de
casa, muito devido ao vício, e outro tanto devido ao meu estilo de vida; gosto
da segurança e aconchego do meu lar. Era extremamente sedentário até algumas
semanas atrás, agora faço musculação e caminhada.
Mas... Vamos ao que interessa!
Mas... Vamos ao que interessa!
OBJETIVO DESTE BLOG
Este blog possui dois objetivos: o primeiro e mais importante: eu finalmente conseguir superar este vício que tanto me consome. O segundo objetivo é ajudar outros viciados ou familiares/amigos destes viciados. Sei que o caminho é árduo, penoso, mas mais do que nunca, necessário.
Neste blog, irei criar uma espécie de diário, onde poderei
narrar o dia a dia da luta em busca de mais liberdade, pois é isto que o vício
faz, aprisiona. Sempre que eu encontrar algum material sobre o vício em jogos
eletrônicos, farei questão de compartilhá-lo com os leitores do blog.
Acho importante destacar que para este blog nascer, eu tive
grande influência deste blog aqui.
Escolhi este nome “Jogar não dá xp” para brincar com o termo gamer
“dormir não dá xp”, onde as pessoas querem dizer que é preciso jogar, jogar e
jogar sem parar, caso contrário, você não irá progredir (ganhar xp). “XP”
significa ‘experiência’, e é acumulando experiência que se fica forte em muitos
jogos eletrônicos. Pois bem, resolvi criar um blog chamado “Jogar Não Dá XP”
pelo simples motivo de que jogar não dá experiência; experiência de vida,
experiência de negócio, experiência de viver feliz com a família, experiência
de viver a realidade, a vida real, aquela que os viciados em jogos eletrônicos
chamam de RL (Real Life).
O VÍCIO
Eu poderia começar este blog falando sobre o que é o tal
vício em jogos eletrônicos, coisa que para muita gente é mito ou puramente “frescura”.
Bem, não irei ocupar boa parte do post para explicar algo que pode ser
facilmente compreendido através de outros textos publicados há muito mais tempo na
internet, segue alguns links para pesquisa:
Vício em jogos eletrônicos - google.
Inconsciente Coletivo.
Jornal Hoje.
Hospital das Clínicas de São Paulo - Grupo de Dependência de Internet
Outro motivo de eu não explicar o que é o meu vício, é porque este blog é voltado principalmente para as pessoas que possuem o mesmo vício que o meu, portanto, elas compreendem perfeitamente o que estou falando. Se você é um viciado em jogos eletrônicos, aposto que chegou até este texto em busca de alguma ajuda, pois bem, sinta-se em casa. E se você é algum parente ou amigo de um(a) viciado(a) em jogos eletrônicos, fique à vontade para interagir comigo através dos comentários, tentarei ajudar, aliás, iremos nos ajudar sempre que possível.
Vício em jogos eletrônicos - google.
Inconsciente Coletivo.
Jornal Hoje.
Hospital das Clínicas de São Paulo - Grupo de Dependência de Internet
Outro motivo de eu não explicar o que é o meu vício, é porque este blog é voltado principalmente para as pessoas que possuem o mesmo vício que o meu, portanto, elas compreendem perfeitamente o que estou falando. Se você é um viciado em jogos eletrônicos, aposto que chegou até este texto em busca de alguma ajuda, pois bem, sinta-se em casa. E se você é algum parente ou amigo de um(a) viciado(a) em jogos eletrônicos, fique à vontade para interagir comigo através dos comentários, tentarei ajudar, aliás, iremos nos ajudar sempre que possível.
Como primeiro texto do blog, acho importante contar um pouco
da minha história com os jogos eletrônicos, ao menos um resumo de como fui me
prendendo cada dia mais aos pixels divertidos. Se você é uma pessoa que não tem
contato com os jogos, talvez estranhe alguns termos utilizados no resumo.
Tudo começou quando eu tinha nove anos, em meados de 1999.
Apesar da pouca idade, lembro-me deste episódio que se tivesse ocorrido ontem:
minha mãe chega em casa com um box de um jogo chamado Diablo e me deu de
presente. O jogo, acreditem se quiser, foi comprado em uma livraria. Naquela
época, o meu contato com o computador se resumia a jogar Paciência, Campo Minado
e um outro joguinho onde dois canhões ficavam “se matando”, não lembro o nome
deste. Enfim, eu quase nunca ligava o computador, e quando ligava, brincava
nestes joguinhos por uns 10 minutos e depois ia brincar na rua. Assim que
instalei Diablo, vi que havia algo de especial e mágico naquilo tudo; o jogo
estava todo em inglês, eu não entendia bulhufas do que era dito dentro do jogo,
mas, mesmo assim, divertia-me à beça! Joguei Diablo por uns dois anos, sempre
sozinho, nunca pela internet. Acho que foi em 2001, minha mãe me presenteou com
o sucessor da série, Diablo II.
Diablo II era um jogo tão incrível, tão envolvente, que até a minha mãe começou a jogar. Ao mesmo tempo, contratamos um serviço de internet, que naquela época era a famosa “internet discada”. Eu passava umas duas horas por dia da semana jogando Diablo II no modo single player, e nos sábados depois das 14h começava a maratona de Diablo II multiplayer, eu só parava para dormir ou quando tinha que revezar a jogatina com a minha mãe. No domingo, era eu acordando e já ligando o computador. Só parava para almoçar, jantar ou deixar, a muito contragosto, alguém da minha família usar a internet.
Diablo II era um jogo tão incrível, tão envolvente, que até a minha mãe começou a jogar. Ao mesmo tempo, contratamos um serviço de internet, que naquela época era a famosa “internet discada”. Eu passava umas duas horas por dia da semana jogando Diablo II no modo single player, e nos sábados depois das 14h começava a maratona de Diablo II multiplayer, eu só parava para dormir ou quando tinha que revezar a jogatina com a minha mãe. No domingo, era eu acordando e já ligando o computador. Só parava para almoçar, jantar ou deixar, a muito contragosto, alguém da minha família usar a internet.
Em 2002 a coisa estava feia, eu já era um viciado em jogos
eletrônicos, mais especificamente em Diablo II. Minha mãe estava mais viciada
ainda. Na época, ela estava desempregada, e para passar o tempo começou a jogar Diablo II pela
internet nos dias de semana, o que fazia a nossa conta de telefone ir às
alturas! Ela chegou até mesmo a comprar itens do jogo pela internet, gastou
cerca de R$500 em uma só tarde, somente para equipar a Amazona dela. Vendo
aquele vicio todo da minha mãe, eu nem me sentia tão apegado ao jogo, parecia
até que eu era normal (detalhe: eu já estava passando cerca de cinco horas por
dia no jogo, fins de semana eu não saía da cadeira).
Não sei direito o motivo que fez a minha mãe parar de jogar
de forma tão repentina, acredito que tenha sido um “cheque-mate” do meu pai,
ele não aguentava mais os gastos dela com a internet/itens do jogo, e também
deve ter reclamado da falta de atenção dela à família ou a ele. Bem, seja lá
qual tenha sido o motivo, ela simplesmente parou de jogar e me deu todos os chars e itens que possuía
no jogo. Assim, estando mais forte dentro do jogo, meu vício só fez aumentar.
Em 2004, eu jogava praticamente o dia todo, só não jogava
quando estava no colégio. Mudamos de cidade, e muita coisa mudou. Na cidade
nova, fiz amigos que se interessavam por outras coisas que não fossem somente
computador, apesar de todos eles olharem para mim como um Deus dos jogos, pois
eu era o único entre eles que tinha sido o primeiro no rank mundial de Diablo
II (chamado de “ladder”). Numa época em que não existia bots (robôs) em Diablo
II, isto era uma grande conquista. Passei a frequentar lan houses, como podem
imaginar, somente para jogar Counter Strike! Fazia corujões e mais corujões de
CS! Mas eu ainda saía de casa para jogar bola ou ir conversar besteira na pracinha do bairro. Em 2005, eu já tinha internet banda larga em casa, foi aí que o vício ficou
feio pra valer! Com uma internet veloz e conectada 24h por dia, passei a testar
outros jogos, alguns deles foram: Mu Online, Ragnarok, Tibia, World of Warcraft
e qualquer outro MMORPG que fosse surgindo.
De 2005 pra cá minha vida se resume aos jogos eletrônicos.
Sim, eu cresci, tenho um diploma de nível superior, namorei várias garotas,
sai, bebi, curti, estudei, mas sempre acompanhado de, pelo menos, seis horas
de jogatina diária. Fins de semana então, eram 24h matando dragões, salvando
princesas, conquistando embarcações, atirando em cabeças, pegando bandeiras,
procurando itens raros e mais fortes e por aí em diante. Tudo isto aos olhos de meus pais, que no início encaravam como algo bom (melhor o filho em casa jogando no quarto do que em baladas), mas com o tempo perceberam que eu estava ficando muito tempo no computador, passaram a reclamar de meu mau uso dos jogos eletrônicos, mas nunca enxergaram isto com um vício propriamente dito. Quando tentei procurar ajuda junto aos meus pais, notei um grande preconceito por parte deles, por isto, desisti de procurar ajuda dentro de casa.
Especificamente hoje,
eu simplesmente ainda não dormi desde ontem, comecei a jogar World of Warcraft
ás 19h de ontem, e só fui parar meio-dia de hoje; sim, isso mesmo que você leu,
eu passei a noite toda, virei o dia e ainda fiquei a manhã inteira jogando, em
plena semana! Desesperado, procurei ajuda com a minha mulher e mãe do meu
filho, no telefone, ela disse: “delete os jogos, eu vou te ajudar, mas você
precisa querer se ajudar também. Delete tudo, recomece.”
Bem, eu já tive muitas tentativas de parar de jogar, ou
simplesmente jogar pouco, de forma saudável, mas eu nunca consegui. Desta vez,
estou determinado a ir até o fim, vou acabar com este vício, eu vou ser mais
forte que ele! Tenho um filhinho lindo que depende de mim, uma mulher carinhosa
e leal ao meu lado, pais que me apoiam em tudo o que eu faço, eu preciso me
superar e ser alguém na vida, preciso passar por cima deste vício!
Acima foi um resumo, mas beeeeem resumido mesmo, de meu
contato com os jogos eletrônicos. No decorrer dos posts eu posso ir escrevendo
algumas lembranças e experiências com os viciantes jogos eletrônicos, que
muitas pessoas ignorantemente os chamam de “joguinhos”, desprezam os seus
benefícios (sim, existem benefícios, obviamente, longe do vício) e,
principalmente, os seus efeitos colaterais – o vício é um deles.
OBRIGADO POR LER ATÉ AQUI
O post ficou incrivelmente grande, vou parar de escrever por
aqui. Deixo um recado para as pessoas viciadas em jogos eletrônicos, seja ele
MMORPG,FPS, PLATAFORMA etc., fiquem à vontade para comentar, interagir comigo. O mesmo
é valido para os familiares/amigos que buscam mais informações sobre este
vício.
Hoje é o primeiro dia de minha liberdade, eu vou conseguir!
P.S. Acabei de deletar todos os meus chars de World of Warcraft,
cancelei a assinatura mensal, e deletei o jogo em si. Deletei também Diablo
III, Starcraft II, Battlefield Heroes e o emulador Project64, junto com ele,
todas as roms de N64.
