domingo, 30 de dezembro de 2012

Dia 13 - Adeus ano velho (por favor, leve o vício junto)

Típica foto de qualquer post de fim de ano. Foto: Fotoarena
Hoje é o meu 13º dia afastado dos videogames e, sinceramente, estes poucos dias parecem ser uma eternidade. Antes de começar este  post, estava contando os dias que estou afastado do vício, e quando vi que se passaram somente 13 dias, eu me assustei: “Como assim, só isso?!?!?!”

Este período festivo tem sido complicado, dei uma relaxada nos estudos (ninguém é de ferro) e meu tempo livre tem sido uma verdadeira tortura! Na verdade, nem tanto... Notei que nestes dias eu fiquei mais tempo com minha namorada e meu filho, sai um pouco mais de casa. Ah, como estou fazendo exercício físico para um Teste de Aptidão Física (TAF) de um concurso que passei, as minhas manhãs estão ocupadas com meu treinamento para fortalecer os tendões do joelho (maldita tendinite!) e aguentar correr 2km em 12 minutos, além dos abdominais e flexões.

Mas, nas horas em que não estou fazendo nada, mas nada meeesmo, é tortura. Olho para o notebook e penso em jogar. Olha para a televisão e penso em jogar. Termino usando o facebook, respondendo um “oi” do chat e acabo ficando por lá... Preciso parar com isso, de que adianta trocar os videogames pelas redes sociais?! Além disso, andei procurando notícias e mais notícias sobre games, assistindo vídeos no youtube onde nerds viciados pessoas comentavam suas jogatinas, será que isso é um efeito da crise de abstinência?

Já o problema do post do 'dia 3' eu estou resolvendo tranquilamente – mais pela necessidade de emagrecer para o TAF do que outra coisa – essa segunda fase do concurso tem me ajudado bastante...

Bem, é isto... Notei que as visitas do blog caíram para quase zero, isso significa que, ou os viciados de plantão estão jogando (oh no!), ou estão se empanturrando de panetones que sobraram do Natal, prefiro esta segunda opção.

P.S. Cogitei a ideia de liberar uma horinha de Playstation 2 (nunca fui viciado em consoles mesmo) por dia, mas não levei adiante – quem sabe eu faço isto mais pra frente, por enquanto, continuo no tratamento de choque.

Feliz ano novo!!!!
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Bebê jogando GTA: devemos nos preocupar?


Mãozinha no mouse e tudo! Foto: Reprodução/Youtube
Acabei de assistir a um vídeo que me deixou assustado e um tanto quanto preocupado. O vídeo mostra um garotinho de 1 ano e 6 meses jogando GTA. Sim, isto mesmo que você leu, jogando GTA!!

Não vou entrar no mérito do jogo (GTA) ser violento ou qualquer aspecto deste tipo, o que me assustou mesmo foi como o bebê adora e, segundo o próprio pai (na descrição do vídeo), é fissurado pelo jogo eletrônico.

Ao dar play no vídeo, pensei que seria apenas um bebê assistindo ao jogo e dançando com as músicas, mas depois de assistir até o fim, confesso, fiquei chocado! Os últimos segundos do vídeo seria uma coisa muito natural, se não fosse um espertinho e fofo bebê ao segurar o mouse. Além disto, não foi algo que aconteceu apenas uma vez, pelo que pude entender (até mesmo pelas palavras do pai), o garoto realmente é viciado no jogo. Antes de continuar, por que não assiste ao vídeo e tira suas próprias conclusões?



Esta cena me tocou muito porque tenho um filho de 1 ano e 7 meses – ele imita tudo o que o papai e mamãe fazem, se estamos teclando, ele sobe na cadeira e começa a “teclar” também. Até aí, nada demais, algo natural. Ele já sabe, por exemplo, que o ícone do Youtube é sinônimo de Patati Patata. Mas, mesmo assim, não gosto de deixá-lo fuçando no computador, primeiro porque às vezes ele bate muito forte no teclado, e segundo porque acho muito cedo para ele ter este tipo de contato.

Não serei aqueles pais que não dão celular aos filhos ou que não o deixam chegar a dois metros de um computador, claro que não, mas acho que tudo tem sua idade, tudo tem seu limite.

Agora, quem sou eu para dizer que a atitude do pai deste bebezinho está errada?! Não direi isso, mas a cena me chocou, isto não posso negar. Será que fiquei alarmado em demasia porque possuo um histórico de problemas com jogos eletrônicos ou será que a cena também assustou outras pessoas? O vídeo possui 541 aprovações e 125 pessoas não gostaram (na data desta publicação), pelo visto, não estou sozinho nesta. O vídeo é de 2007, fiquei curioso para saber como é a relação desta criança com os jogos eletrônicos nos dias de hoje, deixarei uma pergunta no vídeo, quem sabe o pai não me responde?

Fica aqui a reflexão: qual seria a idade ideal, melhor dizendo, idade aconselhável para apresentar os jogos eletrônicos a uma criança?

P.S. Fabrício Bortone, se você chegou até este texto através de minha pergunta em seu canal, por favor, não fique chateado. Utilizei o vídeo do seu filho pois o mesmo se encontra sob a Licença Padrão do Youtube (o que me permite a reprodução). Se quiser contribuir com a discussão, aguardo o seu relato de como é, atualmente, a relação do seu filho com os jogos eletrônicos.  
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Dia 3 - Para não jogar, comi.

Descontei nele!

Hoje foi o meu terceiro dia longe dos jogos eletrônicos e posso afirmar uma coisa: engordei! Ontem foi tranquilo, passei o dia todo com algo para fazer, ocupei a mente. Mas hoje... Hoje foi difícil! O dia estava sendo tranquilo, quando deu umas 17h, a vontade de fazer algumas quests bateu forte!

Para despistar o vício, fui comer, e como comi! Abri e devorei todo o pote de pão de mel + um pacote de bis + refrigerante + miojão + quatro ovos + refrigerante (de novo!). Agora, estou me sentindo péssimo, tanto porque estou estufado, como também porque a minha consciência está martelando o meu juízo; poxa, eu tava indo tão bem na reeducação alimentar...  Não é de todo mal, pequei na reeducação alimentar, mas pelo menos não joguei!

Mas tudo bem, sem neuras, vou encarar isto como apenas uma fuga, que, aliás, é o que realmente foi: uma tentativa de esquecer a vontade de jogar. Já sei o que vou fazer, vou comprar um monte de alface, assim, da próxima vez que bater aqueeela vontade de fazer umas dungeons e raids e eu me negar a cumpri-la, a vontade de atacar a cozinha irá bater e- uuaallááá – alface! 
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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Dia 1 - Jogar Não Dá XP


Meu notebook: aspirador de experiências reais! 
OLÁ MUNDO;

Olá, eu sou um viciado em jogos eletrônicos. Vou me identificar como X, metade por vergonha de assumir publicamente o meu vício, outra metade para resguardar a minha família.

Sou jovem, tenho 22 anos, um filho pequeno e namoro a mulher mais bela que eu já vi – sou um cara de sorte. Atualmente, estou começando a minha segunda graduação, estudo para concursos públicos, moro com os meus pais e não possuo independência financeira.

Sou um sujeito extremamente caseiro, quase nunca saio de casa, muito devido ao vício, e outro tanto devido ao meu estilo de vida; gosto da segurança e aconchego do meu lar. Era extremamente sedentário até algumas semanas atrás, agora faço musculação e caminhada.

Mas... Vamos ao que interessa!

OBJETIVO DESTE BLOG

Este blog possui dois objetivos: o primeiro e mais importante: eu finalmente conseguir superar este vício que tanto me consome. O segundo objetivo é ajudar outros viciados ou familiares/amigos destes viciados.  Sei que o caminho é árduo, penoso, mas mais do que nunca, necessário.

Neste blog, irei criar uma espécie de diário, onde poderei narrar o dia a dia da luta em busca de mais liberdade, pois é isto que o vício faz, aprisiona. Sempre que eu encontrar algum material sobre o vício em jogos eletrônicos, farei questão de compartilhá-lo com os leitores do blog.

Acho importante destacar que para este blog nascer, eu tive grande influência deste blog aqui.

Escolhi este nome “Jogar não dá xp” para brincar com o termo gamer “dormir não dá xp”, onde as pessoas querem dizer que é preciso jogar, jogar e jogar sem parar, caso contrário, você não irá progredir (ganhar xp). “XP” significa ‘experiência’, e é acumulando experiência que se fica forte em muitos jogos eletrônicos. Pois bem, resolvi criar um blog chamado “Jogar Não Dá XP” pelo simples motivo de que jogar não dá experiência; experiência de vida, experiência de negócio, experiência de viver feliz com a família, experiência de viver a realidade, a vida real, aquela que os viciados em jogos eletrônicos chamam de RL (Real Life).

O VÍCIO

Eu poderia começar este blog falando sobre o que é o tal vício em jogos eletrônicos, coisa que para muita gente é mito ou puramente “frescura”. Bem, não irei ocupar boa parte do post para explicar algo que pode ser facilmente compreendido através de outros textos publicados há muito mais tempo na internet, segue alguns links para pesquisa:

Vício em jogos eletrônicos - google.
Inconsciente Coletivo.
Jornal Hoje.
Hospital das Clínicas de São Paulo - Grupo de Dependência de Internet

Outro motivo de eu não explicar o que é o meu vício, é porque este blog é voltado principalmente para as pessoas que possuem o mesmo vício que o meu, portanto, elas compreendem perfeitamente o que estou falando. Se você é um viciado em jogos eletrônicos, aposto que chegou até este texto em busca de alguma ajuda, pois bem, sinta-se em casa. E se você é algum parente ou amigo de um(a) viciado(a) em jogos eletrônicos, fique à vontade para interagir comigo através dos comentários, tentarei ajudar, aliás, iremos nos ajudar sempre que possível.

Como primeiro texto do blog, acho importante contar um pouco da minha história com os jogos eletrônicos, ao menos um resumo de como fui me prendendo cada dia mais aos pixels divertidos. Se você é uma pessoa que não tem contato com os jogos, talvez estranhe alguns termos utilizados no resumo.

Tudo começou quando eu tinha nove anos, em meados de 1999. Apesar da pouca idade, lembro-me deste episódio que se tivesse ocorrido ontem: minha mãe chega em casa com um box de um jogo chamado Diablo e me deu de presente. O jogo, acreditem se quiser, foi comprado em uma livraria. Naquela época, o meu contato com o computador se resumia a jogar Paciência, Campo Minado e um outro joguinho onde dois canhões ficavam “se matando”, não lembro o nome deste. Enfim, eu quase nunca ligava o computador, e quando ligava, brincava nestes joguinhos por uns 10 minutos e depois ia brincar na rua. Assim que instalei Diablo, vi que havia algo de especial e mágico naquilo tudo; o jogo estava todo em inglês, eu não entendia bulhufas do que era dito dentro do jogo, mas, mesmo assim, divertia-me à beça! Joguei Diablo por uns dois anos, sempre sozinho, nunca pela internet. Acho que foi em 2001, minha mãe me presenteou com o sucessor da série, Diablo II.

Diablo II era um jogo tão incrível, tão envolvente, que até a minha mãe começou a jogar. Ao mesmo tempo, contratamos um serviço de internet, que naquela época era a famosa “internet discada”. Eu passava umas duas horas por dia da semana jogando Diablo II no modo single player, e nos sábados depois das 14h começava a maratona de Diablo II multiplayer, eu só parava para dormir ou quando tinha que revezar a jogatina com a minha mãe. No domingo, era eu acordando e já ligando o computador. Só parava para almoçar, jantar ou deixar, a muito contragosto, alguém da minha família usar a internet.

Em 2002 a coisa estava feia, eu já era um viciado em jogos eletrônicos, mais especificamente em Diablo II. Minha mãe estava mais viciada ainda. Na época, ela estava desempregada, e para passar o tempo começou a jogar Diablo II pela internet nos dias de semana, o que fazia a nossa conta de telefone ir às alturas! Ela chegou até mesmo a comprar itens do jogo pela internet, gastou cerca de R$500 em uma só tarde, somente para equipar a Amazona dela. Vendo aquele vicio todo da minha mãe, eu nem me sentia tão apegado ao jogo, parecia até que eu era normal (detalhe: eu já estava passando cerca de cinco horas por dia no jogo, fins de semana eu não saía da cadeira).

Não sei direito o motivo que fez a minha mãe parar de jogar de forma tão repentina, acredito que tenha sido um “cheque-mate” do meu pai, ele não aguentava mais os gastos dela com a internet/itens do jogo, e também deve ter reclamado da falta de atenção dela à família ou a ele. Bem, seja lá qual tenha sido o motivo, ela simplesmente parou de jogar e me deu todos os chars e itens que possuía no jogo. Assim, estando mais forte dentro do jogo, meu vício só fez aumentar.

Em 2004, eu jogava praticamente o dia todo, só não jogava quando estava no colégio. Mudamos de cidade, e muita coisa mudou. Na cidade nova, fiz amigos que se interessavam por outras coisas que não fossem somente computador, apesar de todos eles olharem para mim como um Deus dos jogos, pois eu era o único entre eles que tinha sido o primeiro no rank mundial de Diablo II (chamado de “ladder”). Numa época em que não existia bots (robôs) em Diablo II, isto era uma grande conquista. Passei a frequentar lan houses, como podem imaginar, somente para jogar Counter Strike! Fazia corujões e mais corujões de CS! Mas eu ainda saía de casa para jogar bola ou ir conversar besteira na pracinha do bairro. Em 2005, eu já tinha internet banda larga em casa, foi aí que o vício ficou feio pra valer! Com uma internet veloz e conectada 24h por dia, passei a testar outros jogos, alguns deles foram: Mu Online, Ragnarok, Tibia, World of Warcraft e qualquer outro MMORPG que fosse surgindo.

De 2005 pra cá minha vida se resume aos jogos eletrônicos. Sim, eu cresci, tenho um diploma de nível superior, namorei várias garotas, sai, bebi, curti, estudei, mas sempre acompanhado de, pelo menos, seis horas de jogatina diária. Fins de semana então, eram 24h matando dragões, salvando princesas, conquistando embarcações, atirando em cabeças, pegando bandeiras, procurando itens raros e mais fortes e por aí em diante. Tudo isto aos olhos de meus pais, que no início encaravam como algo bom (melhor o filho em casa jogando no quarto do que em baladas), mas com o tempo perceberam que eu estava ficando muito tempo no computador, passaram a reclamar de meu mau uso dos jogos eletrônicos, mas nunca enxergaram isto com um vício propriamente dito. Quando tentei procurar ajuda junto aos meus pais, notei um grande preconceito por parte deles, por isto, desisti de procurar ajuda dentro de casa.

Especificamente hoje, eu simplesmente ainda não dormi desde ontem, comecei a jogar World of Warcraft ás 19h de ontem, e só fui parar meio-dia de hoje; sim, isso mesmo que você leu, eu passei a noite toda, virei o dia e ainda fiquei a manhã inteira jogando, em plena semana! Desesperado, procurei ajuda com a minha mulher e mãe do meu filho, no telefone, ela disse: “delete os jogos, eu vou te ajudar, mas você precisa querer se ajudar também. Delete tudo, recomece.”

Bem, eu já tive muitas tentativas de parar de jogar, ou simplesmente jogar pouco, de forma saudável, mas eu nunca consegui. Desta vez, estou determinado a ir até o fim, vou acabar com este vício, eu vou ser mais forte que ele! Tenho um filhinho lindo que depende de mim, uma mulher carinhosa e leal ao meu lado, pais que me apoiam em tudo o que eu faço, eu preciso me superar e ser alguém na vida, preciso passar por cima deste vício!

Acima foi um resumo, mas beeeeem resumido mesmo, de meu contato com os jogos eletrônicos. No decorrer dos posts eu posso ir escrevendo algumas lembranças e experiências com os viciantes jogos eletrônicos, que muitas pessoas ignorantemente os chamam de “joguinhos”, desprezam os seus benefícios (sim, existem benefícios, obviamente, longe do vício) e, principalmente, os seus efeitos colaterais – o vício é um deles.

OBRIGADO POR LER ATÉ AQUI

O post ficou incrivelmente grande, vou parar de escrever por aqui. Deixo um recado para as pessoas viciadas em jogos eletrônicos, seja ele MMORPG,FPS, PLATAFORMA etc., fiquem à vontade para comentar, interagir comigo. O mesmo é valido para os familiares/amigos que buscam mais informações sobre este vício.

Hoje é o primeiro dia de minha liberdade, eu vou conseguir!

P.S. Acabei de deletar todos os meus chars de World of Warcraft, cancelei a assinatura mensal, e deletei o jogo em si. Deletei também Diablo III, Starcraft II, Battlefield Heroes e o emulador Project64, junto com ele, todas as roms de N64. 
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